Arquivo | setembro, 2012

Transformação e adaptação

16 set

Uma das cobranças feitas sobre o trabalho docente se dá através do questionamento das mudanças de rendimento de alguns estudantes com o passar dos anos. Obviamente que não me refiro ao crescimento de rendimento, visto que esse é sempre positivo e raramente se dá algum crédito ao professor.

Falo das mudanças que ocorrem com alunos que antes era considerados excelentes e, com o tempo, foram possuindo rendimento muito abaixo do anterior. Quando isto ocorre, muitas vezes a cobrança aparece através de comparações totalmente equivocadas, do tipo: “Na 3ª série ele era ótimo, como pode agora na 8ª série ter tantas notas vermelhas?”

Esse tipo de comparação é equivocada porque esquece de incluir no seu pacote comparativo as transformações ocorridas com o próprio estudantes. Essas transformações vão desde o ambiente vivenciado no seu cotidiano, passando por assuntos familiares e de trabalho, chegando até a questões sensitivas e emocionais. Todos esses fatores podem afetar o rendimento de um aluno.

Isso tudo faz parte do amadurecimento daquela criança que tinha como única preocupação o estudo, e que agora, um adolescente rumando a vida adulta, deve se preocupar com outras questões tão importantes, para ele, quando o próprio estudo: trabalho, renda própria, vida social, diversão, relacionamentos sociais e amorosos, entre outros fatores ligados intimamente ao desenvolvimento humano.

 

site da imagem: Caem os mitos sobre a adolescência

 

Logicamente, o professor DEVE levar tudo isso em consideração durante o seu trabalho. Até porque o seu planejamento de aulas e a avaliação do processo de ensino/aprendizagem dependerão da maneira que o profissional interpreta o grupo de estudantes com quem se relaciona. A capacidade do aluno, o modo de abordagem e o caráter avaliativo dependem dessa leitura do íntimo do estudante além da sala de aula.

Entretanto, não se deve creditar somente ao trabalho do professor a queda de rendimento do estudante. Como já foi dito anteriormente, as mudanças no seu ambiente familiar, social e profissional podem afetar a sua capacidade de concentração e foco. Sejam desestruturação da base familiar, mudança de escola e/ou cidade, início e término de relacionamentos amorosos, influência midiática no comportamento dos jovens, trabalho para auxiliar no sustento do lar ou para comprar objetos de desejo consumista adolescente, alterações físicas, hormonais e comportamentais típicas do ser humano nessa faixa etária… enfim, diversos fatores influenciam no rendimento do estudante. Influências positivas e negativas.

Farão a diferença na vida desses estudantes os profissionais docentes que souberem ler e interpretar as transformações ocorridas na vida desses jovens, lembrando que um dia também já passaram por tudo isso, assim como hoje eles passam. Adaptação didática faz-se necessária, mas sem haver “coitadismos” ou “passada de mão na cabeça”. O processo educativo exige coerência e sinceridade. Dar notas, ou aprovar quando não há dedicação e interesse, não ajudam em nada no turbulento processo de amadurecimento pelo qual esses jovens estão passando.

Ranking Universitário

3 set

Não!

Este post não tem nada a ver com mais um “movimento musical” que usa em vão o termo de estudante do ensino superior.

Na verdade se trata do mais recente ranking das universidades brasileiras, apesar de nem todas constarem na lista final. Este ranking foi elaborado pela Folha de São Paulo que, para isso, criou metodologia própria referenciada em avaliações internacionais consolidadas (ué, se a metodologia é própria deveria ser baseada em critérios próprios… mas tudo bem).

Estes critérios avaliam os seguintes quesitos:

– A qualidade da pesquisa científica;

– A qualidade de ensino;

– A avaliação do mercado;

– Indicador de inovação.

As dez melhores universidades do Brasil, de acordo com este ranking, são as seguintes:

1 º Univ. de São Paulo (USP) 
2º Univ. Fed. de Minas Gerais (UFMG) 
3º Univ. Fed. do Rio de Janeiro (UFRJ)
4º Univ. Fed. do Rio Grd. do Sul (UFRGS) 
5º Univ. Est. de Campinas (Unicamp) 
6º Univ. Est. Pta. Júlio de Mesquita Filho (Unesp) 
7º Univ. Fed. do Paraná (UFPR) 
8º Univ. de Brasília (UnB) 
9º Univ. Fed. de Santa Catarina (UFSC)
10º Univ. Fed. de Pernambuco (UFPE)

O resultado deste ranking mostra algumas universidades que já possuem sua qualidade reconhecida nacionalmente e na América Latina, como a USP, a UFRGS e a Unicamp, nas primeiras posições.

Interessante também notar que entre as 3o primeiras somente 3 são particulares. Sendo que essas 3 são da PUC (RJ, RS e  PR). Porém, de acordo com os critérios deste ranking, isto não significa que todas as universidades públicas possuem boa qualidade, visto que as Universidades Estaduais de RR, AL e AP estão entre as últimas colocadas.

Obviamente que este ranking não deve ser levado como método seguro de  de avaliação das universidades brasileiras, pois seus critérios apresentam brechas para falhas de interpretação. Por exemplo, o critério que avalia a instituição conforme a preferência dada pelos profissionais de recursos humanos pode variar conforme o curso. Dentro de uma mesmo universidade pode haver uma grande variação de qualidade  do ensino.

Mas, ainda assim, é no mínimo interessante observar este tipo de ranking, pesquisar sobre as universidades ou conversar com pessoas que estudaram, estudam ou conhecem a estrutura dessas universidades. Penso que a troca de informações sobre essas instituições pode gerar discussões no meio acadêmico, possibilitando que o melhor de cada universidade seja usado como exemplo na busca por melhorias no ensino superior brasileiro.

Para conferir o ranking completo basta acessar o site do Ranking Universitário Folha.

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