Transformação e adaptação

16 set

Uma das cobranças feitas sobre o trabalho docente se dá através do questionamento das mudanças de rendimento de alguns estudantes com o passar dos anos. Obviamente que não me refiro ao crescimento de rendimento, visto que esse é sempre positivo e raramente se dá algum crédito ao professor.

Falo das mudanças que ocorrem com alunos que antes era considerados excelentes e, com o tempo, foram possuindo rendimento muito abaixo do anterior. Quando isto ocorre, muitas vezes a cobrança aparece através de comparações totalmente equivocadas, do tipo: “Na 3ª série ele era ótimo, como pode agora na 8ª série ter tantas notas vermelhas?”

Esse tipo de comparação é equivocada porque esquece de incluir no seu pacote comparativo as transformações ocorridas com o próprio estudantes. Essas transformações vão desde o ambiente vivenciado no seu cotidiano, passando por assuntos familiares e de trabalho, chegando até a questões sensitivas e emocionais. Todos esses fatores podem afetar o rendimento de um aluno.

Isso tudo faz parte do amadurecimento daquela criança que tinha como única preocupação o estudo, e que agora, um adolescente rumando a vida adulta, deve se preocupar com outras questões tão importantes, para ele, quando o próprio estudo: trabalho, renda própria, vida social, diversão, relacionamentos sociais e amorosos, entre outros fatores ligados intimamente ao desenvolvimento humano.

 

site da imagem: Caem os mitos sobre a adolescência

 

Logicamente, o professor DEVE levar tudo isso em consideração durante o seu trabalho. Até porque o seu planejamento de aulas e a avaliação do processo de ensino/aprendizagem dependerão da maneira que o profissional interpreta o grupo de estudantes com quem se relaciona. A capacidade do aluno, o modo de abordagem e o caráter avaliativo dependem dessa leitura do íntimo do estudante além da sala de aula.

Entretanto, não se deve creditar somente ao trabalho do professor a queda de rendimento do estudante. Como já foi dito anteriormente, as mudanças no seu ambiente familiar, social e profissional podem afetar a sua capacidade de concentração e foco. Sejam desestruturação da base familiar, mudança de escola e/ou cidade, início e término de relacionamentos amorosos, influência midiática no comportamento dos jovens, trabalho para auxiliar no sustento do lar ou para comprar objetos de desejo consumista adolescente, alterações físicas, hormonais e comportamentais típicas do ser humano nessa faixa etária… enfim, diversos fatores influenciam no rendimento do estudante. Influências positivas e negativas.

Farão a diferença na vida desses estudantes os profissionais docentes que souberem ler e interpretar as transformações ocorridas na vida desses jovens, lembrando que um dia também já passaram por tudo isso, assim como hoje eles passam. Adaptação didática faz-se necessária, mas sem haver “coitadismos” ou “passada de mão na cabeça”. O processo educativo exige coerência e sinceridade. Dar notas, ou aprovar quando não há dedicação e interesse, não ajudam em nada no turbulento processo de amadurecimento pelo qual esses jovens estão passando.

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